sábado, 11 de dezembro de 2010

Plenitude Ritmada

Não mais gladiar batalhas sem o definido
porquê de guerras.
Armas apontadas ao horizonte, meus braços dizem
não mais saber seu peso.
Cansaço, confusão e sangue.
Pedaços são o que restam
para o resto de meu penar.
Digo bandeira branca ao céus
mas teimo em soar o brado
que silencia meu entendimento.
Por hora fico, ora vou.
A galopar em meu cavalo de guerrilha
rumo às ruínas a serem erguidas.
Com a visão turva do que é.
Do que deixo de ser.
E do que sou.
Vento, sopre um pouco
mais perto.

E me inunda um vendaval....
Ar que inebria
os sentidos fragmentados
de um sopro contrário
à pulsação que me leva
carrega,
embalada,
conduz.
Alucinada!
engasga
engole
respira
respira
respira
aquieta
(sopro)
acalenta
(vento)
suprime
(guerra)
aquieta
(respira)
adormece
(aperta)
sente, sente
sossega
Calmaria.
Riacho de paz
a correr pelos vales
da clara noite leve.
Leve com o vento.
Leve como o vento.

Palco de múltiplas verdades

Fiz de meu caos
caverna submergente deste instante.
Escondo-me não onde sei.
Onde não estou.
Ali, cujo alcance subterrâneo
me enterrei.
E onde ei de permanecer
até quando não mais sei.
Vez por outra
à tona venho
sem que eu permita.
E vasculho bugalhos
das migalhas que ainda restam.
Bosso velhas metáforas -
morfina instantânea de fugaz
quietude e calmaria.
Quantas 'inda serei?
Neste palco iluminado por sombras:
assassinas de uma verdade
morna e embasada...?




ás vezes é preciso ser o que nao se é 
contraditorio ou nao 
pra seguir temos que ir muitas vezes
além de nós mesmos !

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Encanto

Ainda me encanto com canções que não conheço
E rostos pequenos demais pra seus sorrisos
Tenho um carinho especial pelo delírio
E por palavras que nos fazem sangrar

Ainda me encanto com abraços de estranhos
Num dado momento em que por nada mais eu me encanto
Eu sei da força que não possuo e mesmo assim me alcança
Conheço a pedra, mas, nem imagino seu peso e intenção

E assim, tão encantada por tudo que é improvável
Eu vejo a vida com o olhar mais doce que existe
E assim, serena e frágil, insensata e cega
Reinvento minha razão e minha loucura

Ainda me encanto com pessoas em silêncio
Com olhares ingênuos, com almas puras e sãs
Eu sei do barco que navega pelos sonhos
Sem bote salva-vidas, âncora e tripulação

Ainda me encanto com momentos mágicos
Que dão sentido aos nossos dias e cor ao coração
Tenho um carinho por crianças eternas
E pelas eternidades que nos mostram que a vida não tem fim

Loucura Necessária


O amor não é renúncia
Por que a renúncia é uma prisão
O amor é liberdade
É o desafio do próprio peito
É amar todos os seres em um

É não ter ninguém além de mim
É não me dizer aonde devo ir
É não se perder num coração a te ferir
Pra viver é preciso sentir

O amor é uma viagem
É beleza e escravidão
É vida e morte cegas
Amar é pois sim uma loucura necessária

Há uma ponte invisível
entre o meu coração e o teu
mas, você insiste no amor
como um prisioneiro seu

Agora esse barco
Aos poucos vai naufragar
por sentir que a ilha que tanto procura
é o próprio mar .




LIBERTY Uhu!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Labirinto

Se hoje sou labirinto
é por que aprendi a me encontrar
no meio de tudo o que sinto
e do que não pretendo me entregar

Se hoje o que busco não tem nome
é por que não existem mais palavras
Se hoje a minha luta vale a fome
que tenho por minhas velhas armas

Eu não sou mais aquela jovem
cheia de sonhos impossíveis
Agora que cresci e me tornei uma criança
cercada de verdades invisíveis

Se hoje peco em ser sensível
é por que aprendi a me expor
Se hoje sou a parte indivisível
do limiar da minha dor

Se hoje o que eu calo me revela
a luz que vem dos olhos é canção
que soa a nota que me reverbera
O silêncio é a obra prima da revelação

Eu não sou mais aquela velha
que vende saudade nas avenidas
Agora que cresci e me tornei uma criança
refém da própria falta de vida

E quando sinto o ar faltando
numa curva que desconheço
Penso ser a luz de uma saída
já que nada me ilumina desde o começo

Depois de recobrar o fôlego perdido
sigo um puro instinto que me faz sobreviver
E quando parecia ter encontrado meu caminho
o labirinto voltou e me envolver


Eu quero ter a vida mais temida por todo aquele que não me entender Isso inclui meu sorriso, meu silêncio meu sonho, meu caminho, meu ser

Submersa

Escrevo do navio
Versos invisíveis
É um diário de bordo
Da minha alma nesses mares

Enquanto o vento iça as velas
Do meu coração giramundo
Eu enfrento o medo do oceano
Eu que tenho tanto medo de tudo

Aceitei ser labirinto
Quem sabe assim eu me encontro
E não procure outras verdades
Nas pequenas falhas do meu sonho

Sou tela, moldura e tinta
De um quadro vazio
O pincel que retrata o nada
A palavra “amanhã” num dia de angústia

E quando a âncora ameaçar
Interromper minha aventura
Será loucura se eu remar?
Será vertigem se eu correr?
Será heróico se eu lutar?
Será tortura se eu viver?