Se hoje sou labirinto
é por que aprendi a me encontrar
no meio de tudo o que sinto
e do que não pretendo me entregar
Se hoje o que busco não tem nome
é por que não existem mais palavras
Se hoje a minha luta vale a fome
que tenho por minhas velhas armas
Eu não sou mais aquela jovem
cheia de sonhos impossíveis
Agora que cresci e me tornei uma criança
cercada de verdades invisíveis
Se hoje peco em ser sensível
é por que aprendi a me expor
Se hoje sou a parte indivisível
do limiar da minha dor
Se hoje o que eu calo me revela
a luz que vem dos olhos é canção
que soa a nota que me reverbera
O silêncio é a obra prima da revelação
Eu não sou mais aquela velha
que vende saudade nas avenidas
Agora que cresci e me tornei uma criança
refém da própria falta de vida
E quando sinto o ar faltando
numa curva que desconheço
Penso ser a luz de uma saída
já que nada me ilumina desde o começo
Depois de recobrar o fôlego perdido
sigo um puro instinto que me faz sobreviver
E quando parecia ter encontrado meu caminho
o labirinto voltou e me envolver