sexta-feira, 11 de março de 2011

LIMITES


Não sei se as letras gozam em silêncio
mas sinto a boca sugando as palavras
e a voz está sedenta de gritos

Na ausência de limites nos sentidos
há mais do que efêmeros desejos
eriçando os pêlos das metáforas

O que sei é que existe a busca alucinada
dentro das impossibilidades do espelho
estilhaçado pelo invisível dos limites

Limites do tempo, limites do espaço
limites que não inibem o prazer
no entrelace do voo - orgasmo do verso

sexta-feira, 4 de março de 2011

parti[tura]...

Afino os sentimentos

Orquestro as palavras

No silêncio busco a melodia mais pura


Quando minha alma se parti[tura]...

Toco a poesia

O que a tua língua escreve nos meus ouvidos,

O desejo passa a limpo na minha pele....

E tuas mãos me apagam

Não quero ter nada, não quero!
Não quer uma vida sonhada.
Não quero, não quero ser nada.
Não quero, não quero, não quero!

Não quero poder, quero amor,
Não quero ter sonhos; instantes;
Depois eu não quero, nem antes.
Não quero paixões, quero a dor.

Eu quero sofrer, mas em paz,
Não tenhas ciúmes de mim.
Eu quero um amor só assim,
Que seja somente o que faz.

Não quero clamar por amor,
Não quero pedir por riqueza.
Mais rica serei na pobreza,
Mais nobre serei com minha dor.


Não quero, não quero ser nada.
Não quero, não quero, contudo.
Que saibam: ser nada é ser tudo.
E mais: que ser tudo é ser nada!



O vento
O vento me leva, e me eleva a memória:
E invento a palavra, e invento o momento,
E invento o tempo pra te conceber,
E invento um cenário, e invento um agrado,
E me inventa um poema, e me invento em você.

O vento me esfria, e ventila em mim as palavras de agora:
E invento um modelo, e invento seus lábios,
E invento seus traços, e invento minhas mãos,
E invento o calor, e invento o suor,
E invento o prazer, e invento os dias para amar você.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011




Se olhar nos meus olhos
Vai ter certeza
Do quanto vale o meu silêncio
Se olhar como quem lê um livro
Vai enxergar minha alma
E isso eu não permito 
É tão difícil
Se doar sem correr algum risco
Pois quando não temos mais segredos
Nos tornamos reféns do saber alheio 
E mesmo que tenha no rosto os sinais
De uma simples poesia
Quem me escreveu hoje 
Pena pra me decifrar todo dia 
Tenho a força de quem respira
E a agonia de quem quer respirar
Sou pedaço e não padeço
Por outro pedaço pra me completar
Eu tenho a luz e a chama da solidão
Sou a vela nos olhos do moço e do ancião
Sou fogo fátuo, sou filha bastarda do meu coração
Metade vazio, metade imensidão



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pássaros do Chão

Às vezes é preciso se perder
Se embriagar de estrelas
E das canções que não se escutam mais

O mundo é sempre tão perfeito
Há charme no perigo
Há tanta beleza no que não se vê

Hoje a gente quer a vida
E espera sem demora
Um mundo mais sensível

A gente espera um barco a vela
Já nos cansamos de tudo
Que é rápido demais

Às vezes é preciso desmedir
Fugir pra outra cidade
Sem ter que buscar respostas

A vida é sempre tão intensa
Olhe pro céu e veja
O que com os olhos não se pode ver

Hoje a gente sonha só
Por que os sonhadores
São pássaros do chão

A gente quer o coração mais forte
Já nos cansamos de tudo
Que é plástico demais.