sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Labirinto

Se hoje sou labirinto
é por que aprendi a me encontrar
no meio de tudo o que sinto
e do que não pretendo me entregar

Se hoje o que busco não tem nome
é por que não existem mais palavras
Se hoje a minha luta vale a fome
que tenho por minhas velhas armas

Eu não sou mais aquela jovem
cheia de sonhos impossíveis
Agora que cresci e me tornei uma criança
cercada de verdades invisíveis

Se hoje peco em ser sensível
é por que aprendi a me expor
Se hoje sou a parte indivisível
do limiar da minha dor

Se hoje o que eu calo me revela
a luz que vem dos olhos é canção
que soa a nota que me reverbera
O silêncio é a obra prima da revelação

Eu não sou mais aquela velha
que vende saudade nas avenidas
Agora que cresci e me tornei uma criança
refém da própria falta de vida

E quando sinto o ar faltando
numa curva que desconheço
Penso ser a luz de uma saída
já que nada me ilumina desde o começo

Depois de recobrar o fôlego perdido
sigo um puro instinto que me faz sobreviver
E quando parecia ter encontrado meu caminho
o labirinto voltou e me envolver


Eu quero ter a vida mais temida por todo aquele que não me entender Isso inclui meu sorriso, meu silêncio meu sonho, meu caminho, meu ser

Submersa

Escrevo do navio
Versos invisíveis
É um diário de bordo
Da minha alma nesses mares

Enquanto o vento iça as velas
Do meu coração giramundo
Eu enfrento o medo do oceano
Eu que tenho tanto medo de tudo

Aceitei ser labirinto
Quem sabe assim eu me encontro
E não procure outras verdades
Nas pequenas falhas do meu sonho

Sou tela, moldura e tinta
De um quadro vazio
O pincel que retrata o nada
A palavra “amanhã” num dia de angústia

E quando a âncora ameaçar
Interromper minha aventura
Será loucura se eu remar?
Será vertigem se eu correr?
Será heróico se eu lutar?
Será tortura se eu viver?

terça-feira, 30 de novembro de 2010


Meus pensamentos mais ocultos ,faz-me ouvir assim: Não fujas, enfrente...que da cinza e do pó te levantarei... E neste pensamento, queria eu ter asas para voar, ou... Simplesmente eu precisava de asas para poder sobreviver...
Ouço o silêncio que fala…
Envolto na penumbra das palavras
Acordo o som que me atormenta
E me castra os sentidos

Vejo nascer o Sol…
Por entre a bruma
Rasgo horizontes ofuscados
Pelo tédio
E a melancolia
Liberto-me da lama
E das areias movediças

Grito no deserto da multidão
Que me envolve e asfixia

Renasço do silêncio
Do barulho do nada
Que se imobiliza
Que não se vê
Que não se ouve
Que não sente…

Desnudo-me do marasmo em que existo
Renasço das cinzas…
Levantei-me do pó e da cinza...
Rasguei o peito num Grito!

terça-feira, 2 de novembro de 2010


Vento volta

devagarinho

em turbilhões

de sentimentos

nas pequenas coisas

que não dizemos

mas de repente

Sentimos

Vento volta

devagarinho

Como se vento

não fosses

mas sim

o despertar

dum novo dia

brotando vida

em aurora inexistente