
Adormeci sem memórias
Sono vazio de imagens que possa ter visualizado
Incapacidade de verbalizar o que poderei ter sentido
Na captação do que se deparou perante um olhar desprovido da capacidade de transmitir informações ao seu fiel guardador
Foi longa a noite
Percorri-a sem sonhos
Despojada de conteúdo
Não se fez obstáculo
E passou rápida por mim
Fria, negra e indiferente
Deixou que ficasse deitado naquele chão gelado combatendo o vento cortante, barrando as águas que tentavam passar por baixo daquilo que parecia o meu corpo, cerrando os dentes dele e apertando fortemente os braços no peito nu… …entreguei-me a ela…
Acordei preso em si
Que entretanto se tinha feito clara e quente
Quando ensopado do gelo acumulado que se derretia perante a luminosidade com que me banhava o desacautelado corpo
Deixei que fossem meus os seus raios
Quando os seus lábios me escorregaram na face
Recordei…