quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Adormeci sem memórias

Sono vazio de imagens que possa ter visualizado

Incapacidade de verbalizar o que poderei ter sentido

Na captação do que se deparou perante um olhar desprovido da capacidade de transmitir informações ao seu fiel guardador

Foi longa a noite

Percorri-a sem sonhos

Despojada de conteúdo

Não se fez obstáculo

E passou rápida por mim

Fria, negra e indiferente

Deixou que ficasse deitado naquele chão gelado combatendo o vento cortante, barrando as águas que tentavam passar por baixo daquilo que parecia o meu corpo, cerrando os dentes dele e apertando fortemente os braços no peito nu… …entreguei-me a ela…

Acordei preso em si

Que entretanto se tinha feito clara e quente

Quando ensopado do gelo acumulado que se derretia perante a luminosidade com que me banhava o desacautelado corpo

Deixei que fossem meus os seus raios

Quando os seus lábios me escorregaram na face

Recordei…