A palavra é feita de farrapos.
Por que temer, se ela cair?
De tão usada se torna trapo,
Esgarça o tecido – fiapo por fiapo.
Mas quebrar?! Como, se não se pode partir?
Palavra guardada é fruta mofada.
Perde o viço, o brilho sedoso do cetim.
Palavra bela é palavra usada,
Gasta, catada no chão, no jardim.
O perigo da palavra
Não é utilizá-la nem deixá-la cair,
E, sim, que sua lâmina afiada
Corte a carne de quem a quer polir.