
Não vejo o dia anoitecer, fecho-me dentro do Sol que trago em mim, brilho para o meu interior, ofusco o meu centro, escondo-me atrás das nuvens que toldam o surrealismo do espaço de ilusões que invento, perco-me entre ocultas verdades que me fogem, e certezas gritantes que se escapam entre os meus dedos.
Com a chave do Amor, abro a secreta passagem, desvendada num futuro que já vivi, caminho num enleado de caminhos empedrados de um belo jardim, onde as viçosas flores que o enfeitam, são olhares doces, que se cruzam com o meu, fazendo-me brilhar, dando-me forças para continuar.
Vagueio neste labirinto de sonhos, onde os becos sem saída, são espelhos onde vislumbro os meus erros, mas surpreendo-me com o reflexo sorridente do meu semblante, encanto-me com a expressão radiante que se solta do meu rosto, quando me levanto a custo, de uma queda desamparada, à mercê de perguntas e respostas nunca encontradas.
Mais uma vez a dúvida apossa-se desta amálgama de sentires que brota da minha pele, não entendo, nem consigo compreender este misterioso brilho, não percebo, se é um Sol que nasce todas as manhãs na minha alma, ou apenas uma astuciosa magia, materializada numa máscara, nesciamente inventada, em momentos de desejo, para te encantar e te ter junto a mim...