terça-feira, 19 de julho de 2011

Dito ou Silenciado

Não desejo explicações. 
Não quero que  falem, justifique ou pronuncie uma única palavra. 
Não há como tornar claro o que adentra meu ser e atravessa portas sem ser convidado, o que me é despertado e desperto. 
Quando necessita de explicações é porque nunca será entendido. Desejo o tocante sem toque, o que provoca à alma, pesa e não tem nome, não há julgamento. Apenas o que toca e sobrevive e dispensa esclarecimentos, nomeação, sem (pre)conceito ou noção. 
Consome o que (não) sou com fome, fome de estar, fazer parte, de ficar. 
Palavras é o que menos quero agora. 
O silêncio me basta, aquele gritante, de som cortante que faz sangrar, derrama a voz e aguça o sentimento. 
É o que quero agora. 
Sentir sem precisar explicar.
Calar-se.
Calar-me.

Cale-se

Calo-me agora pra meu silêncio falar depois
Falo sem voz, pelo olhar que derrama a fala

Calo pra não ser compreendida
Falo sem manifestar o grito interior

Espero o entendimento sem explicação
Quero a fala desprovida de razão

Eu que de mim só espero que passe
Que vá, que não despedace

Fechada

Estou fechando portas esta manhã
Fechando o olhar meu, fechando o que há
Deixo o que fica pra trás, não olho
Pra não ter que lembrar
Fica guardado o sentimento silenciado
Sentido e nunca compartilhado
Silêncio meu (em mim)
Que sempre vem me acordar
Hoje não permito entrar o sol
Quero ficar embaixo do lençol
Meu medo está na sala a me espreitar
A porta já está fechada, não estou trancada
Removi a fechadura
Deixei meus gritos do lado de fora
(não quero ouvi-los)
Vou ficar um tempo aqui dentro, sozinha, comigo
De frente o eu e mim
Pra mudar alguns objetos de lugar
(Transformando-me)
Pra quem sabe abrir uma janela
e dormir ao luar

"Fecho-me pelo medo de sentir (mais)... covarde eu? talvez... e quem às vezes não é?"

domingo, 19 de junho de 2011

Desprender

Indiferente! A quem o sou, a quem me sente,

Jamais habilitarei o sabor que me segue

A ambiguidade que me ausenta,
 
O desejo inacabado que me ostenta!
 
 
 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Bebeu em silêncio
o frio e a acidez
da razão.

Foi-se!

Euuuuu

Às vezes loucura, em outras razão...
Sonho e pesadelo velados.
Visto-me de ilusão e realidade,
ando pelas sarjetas da sociedade
- daquela em que ébria, tombo pelas calçadas
e da outra em que me sirvo com talheres de prata.
Vou do céu ao inferno em frações de segundos.
Sou luz e escuridão.
Fragmentos de vida.
Porção que cura e que mata.
Segredo exposto.
O prazer do orgasmo!
Vivo no meio de putas e donzelas.
Deito-me com qualquer um
que me faça doce ou amarga.
Sou grito sem som, sou substancial.
Caminhos imbricados, pura magia...
Sou aquela a quem denominam simplesmente poesia!

Depois da Razão!


Muitos me devotam fidelidade
ignoram a realidade
apagam os rastros (ex passos)
afugentam-se em meus braços.

Sou aquela linda donzela
incompreendida, bela
que eclode em desejos inconfessos
que vive em risos manifestos.

Não queiram a mim, controlar
dispo-me em qualquer lugar
sou arredia
não respeito hora, dia.

Meus amantes, com um brilho no olhar
penetram-me as entranhas a delirar
gozam com o falo na clausura
gemendo: - te amo, loucura!