segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Após a ultima lágrima


Primeiro, só a casa era vazia
Depois fui eu quem ficou repleto de nada
Foi quando a mala sangrou tua mão
e a dobradiça da porta rangeu qual trovão

Agora há pratos sujos e quem se importa?
Só ontem lembrei de apagar a luz daquele quarto
Na caneta, aquela tinta que não se apaga
escreveu por toda a casa a palavra perdão

E uma lágrima apagou
as palavras do chão

Primeiro, só a cidade era vazia
Agora sou eu quem chove por dentro
Como um velho que brinca de ainda ser
talhei no meu cílio o que restou pra viver

Agora há panos limpos embaixo da porta
E a conta da vida veio mais cara esse mês
Na caneta, aquela tinta que nunca se apaga
desenhou no meu peito o caminho que fez

Aquela última lágrima
que te dei

Eu sou pedaço de vento, retalho de um verbo
que todos conjugam imperfeito
E caminho serena na bagunça do mundo
pra sempre fugir do meio termo

domingo, 17 de outubro de 2010


A manhã me ensina a caminhar A tarde me ensina a refletir A noite me ensina a descansar E o amanhecer... a seguir

segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Gosto do vento.
Do vento brando
que traz um beijo em suas asas
do vento afoito que recorda meus desejos
do vento tempestuoso que me faz querer proteção em busca de algum ninho...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Acorrentada




Que sensação é esta que me persegue e deixa sem ar
Causa em mim um estrago que se reflete no meu olhar
Deixa as mãos trêmulas como se fosse uma dependente
Não estou presa mas meu corpo necessita de liberdade


Minha mente viaja por caminhos sem ter como retornar
É uma rota sem volta que eu percorro sem sair do lugar
Por mais distante que tente chegar não consigo lembrar
Qual a estrada certa que preciso achar para me libertar


Que mal é este que deixa as minhas idéias sem direção
Transforma minha imaginação em algo simples e errado
Não me deixa alternativas para escrever ou comemorar
Colocando grades nas palavras que antes eu inventava


Circulo ao redor de pontos buscando algo que me atraia
Mas se não controlo meus pensamentos eles se perdem
Fico sem saber onde estou mesmo que eu esteja parada
A sensação de incapacidade me invade e fico sem ação


A ânsia é algo que contamina meu corpo sem perguntar
Percorre minha pele e consome minhas forças de antes
Deixa a lembrança daquilo que estou ansiosa a esperar
Parece colocar correntes em mim para que não escape


Que sentimento é este que converte segundos em dias
Causando o efeito que modifica minha noção de tempo
Transforma em difícil a tarefa simples de compreender
Comprometendo sentidos que direcionam na realidade


É uma sensação que me agride de uma forma silenciosa
Colocando a deriva alguns receios que me fazem tremer
Fico inquieta esperando que o tempo certo possa chegar
E tento me esconder quando a angústia vem me torturar.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010




O mito continua ,a procura da mudança perfeita pra adaptação sem criticas de uma forma única que você se torne a proteção e o protegido.
A verdade é que de tanto me procurar eu me perdi e tentando desvendar a pessoa ideal, já não sei quem sou.


Desejo

Queria nunca perder a sensibilidade,
De olhar para as flores e sentir amores,
De olhar para a escuridão e sentir arrepio,
De olhar para a vida e sentir encanto;

Por olhos de criança a vida toda enxergar,
Pela saudade dos idosos tudo desejar,
Mesmo pela dor de quem chora,
Agradecer o brilho do sol e a gota d´agua;

Pois o tempo que alça vôo para tudo que vive,
Não é o causador da miséria que apaga os brilhos,
Tão pouco culpado pela desumanidade;

Quero correr pelos campos em poesia,
Guerriar e viver a paz que meu espírito procura,
E viver cada dia como o mais importante dia.